quarta-feira, 12 de maio de 2021

Info 14 CNJ

 Direito à remição de pena por práticas sociais educativas em unidades prisionais

A proposta surgiu no âmbito de grupos de trabalho responsáveis pela elaboração de Plano

Nacional de Fomento à Leitura nos Ambientes de Privação de Liberdade (Portaria CNJ nº

204/2020) e de Plano Nacional de Fomento ao Esporte e Lazer no Sistema Prisional (Portaria CNJ

nº 205/2020), que contaram com a participação de organizações e especialistas na matéria, de

representantes do sistema de justiça, de representantes do Poder Executivo ligados ao tema e à

gestão do sistema prisional, bem como do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do

Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas (DMF)

Caso a pessoa privada de liberdade não esteja vinculada a atividades regulares de ensino

no interior da unidade e realizar estudos por conta própria para obter aprovação nos exames que

certificam a conclusão do ensino fundamental ou médio (ENCCEJA ou outros) e aprovação no

Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM, será considerada como base de cálculo 50% (cinquenta

por cento) da carga horária definida legalmente para cada nível de ensino, fundamental ou médio,

no montante de 1.600 (mil e seiscentas) horas para os anos finais do ensino fundamental e 1.200

(mil e duzentas) horas para o ensino médio ou educação profissional técnica de nível médio,

conforme o art. 4º da Resolução nº 3/2010 do Conselho Nacional de Educação, acrescida de um

terço por conclusão de nível de educação, a fim de se dar plena aplicação ao disposto no art. 126,

§ 5º, da LEP.

O reconhecimento do direito à remição de pena pela participação em práticas sociais

educativas não-escolares, excetuada a leitura, considerará a existência de projeto com os

seguintes requisitos: i) especificação da modalidade de oferta, se presencial ou à distância; ii)

indicação de pessoa ou instituição responsável por sua execução e dos educadores ou tutores que

acompanharão as atividades desenvolvidas; iii) objetivos propostos; iv) referenciais teóricos e

metodológicos a serem observados; v) carga horária a ser ministrada e conteúdo programático; vi)

forma de realização dos registros de frequência; vii) - registro de participação nas atividades

realizadas.

A participação da pessoa privada de liberdade em atividades de leitura e em práticas sociais

educativas não-escolares para fins de remição de pena não afastará as hipóteses de remição pelo

trabalho ou educação escolar, sendo possível a cumulação das diferentes modalidades.

Caberá ao Poder Judiciário, especialmente aos Grupos de Monitoramento e Fiscalização do

Sistema Carcerário, em articulação com os demais órgãos da execução penal e com a sociedade

civil, a garantia do direito às práticas sociais educativas a todas as pessoas presas ou internadas

cautelarmente e àquelas em cumprimento de pena ou de medida de

segurança, independentemente do regime de privação de liberdade ou regime disciplinar em que

se encontrem.

A Resolução revoga a Recomendação CNJ nº 44/2013 e entrará em vigor 30 (trinta) dias

após sua publicação.


A Relatora não descarta a

possibilidade de aplicação da pena de aposentadoria compulsória, tendo em vista elementos que

indicam manifestação negligente do magistrado no cumprimento de seus deveres e demonstração

de escassa ou insuficiente capacidade de trabalho (art. 7º, I e III, da Resolução CNJ nº 121/2011).

Registrou-se que não decorreu o prazo decadencial de um ano para a instauração da

revisão disciplinar, pois o julgamento foi concluído pelo Tribunal de Justiça em 9/3/2020 e a

publicação do acórdão ocorreu em 15/5/2020.

Considerando que compete ao CNJ rever, de ofício ou mediante provocação, os processos

disciplinares de juízes e membros de tribunais julgados há menos de um ano (art.103-B, § 4º, V,

da CF), o Plenário decidiu, à unanimidade, pela instauração de revisão disciplinar em desfavor do

juiz, diante da possível modificação das três penas de censura que lhe foram aplicadas pelo

Tribunal, para aplicação de penas mais severas, na forma dos artigos 83, I, e 88 do RICNJ.




Nenhum comentário:

Postar um comentário